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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Brigadeiro, patrimônio nacional


Escrito por Aline Caetano,
acadêmica de Gastronomia na Universidade Federal do Ceará.

O Brigadeiro é um doce genuinamente brasileiro e está presente em todas as festas. Também chamado de “negrinho”, na região sul do país e de trufa brasileira por outros países, o doce foi criado por volta dos anos 1940 e sofreu poucas modificações de sua receita original.

Os ingredientes principais do brigadeiro são o leite condensado, achocolatado, manteiga e chocolate granulado para a cobertura. E por ser um doce tão popular da mesa brasileira, o brigadeiro acaba ganhando diversas versões além do tradicional formato de bola, como o brigadeiro de colher, servido em copinhos, com vários sabores além do chocolate e a mais nova moda, o brigadeiro gourmet, que preza pela qualidade dos ingredientes utilizados.



A origem do nome brigadeiro é uma homenagem ao Brigadeiro Eduardo Gomes. Logo após a queda de Getúlio Vargas, o brigadeiro se candidatou à presidência da República. Por ser um homem de boa aparência, o candidato conquistou um grupo de mulheres que organizavam festas para arrecadar fundos de campanha.

O doce foi criado durante a primeira campanha de Eduardo Gomes e era feito com leite, ovos, chocolate, manteiga e açúcar. Os doces eram vendidos nas festas organizadas pelos correligionários. Outras versões contam que o doce foi inventado por Heloísa Nabuco, socialight carioca, cuja família apoiava o brigadeiro, e por esse motivo resolveu dar ao doce a patente de Eduardo Gomes.

Foto de Campanha

 As festas de Eduardo Gomes eram muito disputadas e logo todos convidavam os amigos para comer o “docinho do brigadeiro”. Com o tempo, o nome foi dado ao doce, que sofreu modificações, com o uso do leite condensado. Eduardo Gomes perdeu as eleições para Gaspar Dutra, mas será eternamente lembrado pelo doce que carrega o seu nome.    


Fudge Ball x Brigadeiro


Fudge balls são docinhos semelhantes ao brigadeiro brasileiro. De origem estadunidense, o doce é uma reinivenção do tradicional fudge. O fudge original é um doce feito com leite, açúcar e manteiga e sua origem data desde o fim do século XIX.  

O primo americano do brigadeiro muitas vezes é erroneamente confundido em filmes e séries de tv. Fudge balls não são brigadeiros. Apesar dos doces serem a base de chocolate, o doce brasileiro é bem mais doce e cremoso que a bolinha dos Estados Unidos. Por conta do leite condensado, o brigadeiro do Brasil  tem uma textura bem mais semelhante com um caramelo. Já o diferencial das fudge ball, é a formação de cristais de açúcar. Essa cristalização garante um doce com textura mais firme, mas ainda suave e os cristais são tão pequenos que não é possível sentí-los, ou seja, o doce não fica com um aspecto granuloso.

Fudge balls
O brigadeiro é um doce cheio de possibilidades e história. O doce está ganhando cada vez mais espaço no mundo gastronômico e sendo reinventado a cada dia, com novos ingredientes e formatos e tendências, como os brigadeiros gourmet.  Não importa de que forma seja apresentado, o brigadeiro sempre será preferência nacional,

Bibliografia:

MOTTER, Juliana. O livro do Brigadeiro. Panda Books: São Paulo, 2010.

http://www.wisegeek.com/what-is-the-history-of-fudge.htm
http://revistalingua.uol.com.br/textos/78/o-doce-enigma-do-brigadeiro-255322-1.asp
http://www.historiadigital.org/curiosidades/a-origem-historica-do-doce-de-brigadeiro/


segunda-feira, 19 de maio de 2014

A Mineralidade e o frutado delicioso e outros toques da Sauvignon Blanc




Escrito por Isaías Maciel acadêmico de Gastronomia  da Universidade Federal do Ceará



O aroma mineral é a principal característica dos varietais produzidos com essa uva na França, os da Nova Zelândia tendem a ser frutados. Os vinhos feitos com o Sauvignon Blanc devem ser bebidos jovens, caracterizando-se pela acidez, e com uma cor que pode evoluir de amarelo-palha pálido ao dourado. Uma das exceções são os vinhos da região de Sauternes que podem ultrapassar 30 anos de guarda, por exemplo, o vinho Château d`Yquem 1996 com estimativa de guarda de 40 anos.


Sua origem é a França e é na região do Vale do Loire com o Sancerre (mais mineral) e o Pouilly-Fumé (mais aromático e frutado) e na região de Bordeaux em assemblage com a Sémillon e Muscadelle (Sauternes, Barsac etc.), que nascem os melhores vinhos franceses produzidos com essa uva. Esta casta, ao contrário da sua vizinha Pinot Noir, se dá bem em quase todas as regiões do mundo que lhe oferecem verões amenos e invernos frios. 

 No Velho Mundo o principal produtor é a França, destacam-se também o nordeste da Itália, a parte central da Espanha, Romênia e Moldávia. No Novo Mundo destacam-se principalmente os vinhos produzidos na Nova Zelândia (destaca-se o Vale de Marlborough), Chile (Vale de Casablanca), África do Sul (destacam-se o Mulderbosch, Steenberg, Neil Ellis e Springfield Estate), na Austrália (a evidente região no cultivo dessa uva é Adelaide Hills, entre os produtores confiáveis encontramos as vinícolas Shaw & Smith e The Lane), nos Estados Unidos destaca-se o Napa Valley, e entre outros. É na Nova Zelândia, principalmente em Marlborough que a Sauvignon Blanc tem conseguido desenvolver todas as suas sutilezas e personalidade fora do território francês. 
 Interessante destacar que é uma uva que, ao se adaptar aos mais diversos solos e climas produz os mais diversos vinhos.

Segundo Peter Wolffenbüttel do site Além do Vinho: " No Uruguai uma Sauvignon Blanc educada com aromas críticos, e mais mineral. No Chile uma explosão de lima-limão e acidez, às vezes desmedida. Na Nova Zelândia aromas forte de maracujá e um Sauvignon Blanc mais frutado que mineral."




Nomenclatura

1) Vinho Varietal: chama-se de vinho varietal quando um vinho é produzido com uma só variedade de uva ou com grande predominância de um mesmo tipo de uva. O objetivo é a valorização da casta. Exemplo: vinhos do Novo Mundo.
2) Vinhos de Assemblage: significa a mistura de duas ou mais uvas na produção do vinho. O objetivo da assemblage é captar os principais atributos de cada variedade de uva, combinando tipos, vinhedos, safras e condições de maturação. Exemplo: vinhos de Bordeaux.
3) Sémillon e Muscadelle: são castas de uvas brancas, sendo que a primeira é mais cultivada na França seguido pela Austrália e Estados Unidos; e a segunda casta é principalmente cultivada na Austrália seguido pela França e África do Sul.

Indicações

Isabel Estate Sauvignon Blanc (Nova Zelândia)
Nobilo Icon Sauvignon Blanc 2011 (Nova Zelândia)
Grove Mill Sauvignon Blanc 2011 (Nova Zelândia)
Aquarelle Sancerre Blanc (França) 
Château d`Yquem 1996 (Sauternes, França) – 95 pontos Robert Parker
Château d`Yquem 2001 375 ml (Sauternes, França) – 100 Wine Spectator e 100 pontos Robert Parker 
Casillero del Diablo 2013 da Concha y Toro (Chile)                                                                   Casa Marín Sauvignon Blanc Cipreses Vineyard (Chile)
Maycas Reserva Sauvignon Blanc 2011 (Chile) - 90 pontos Robert Parker e 91 pontos Descorchados
Sitios de Bodega Palacio de Menade Dulce Sauvignon Blanc 2010 (Espanha)
Miolo Reserva Sauvignon Blanc (Brasil)
Bueno Bellavista State Sauvignon Blanc 2012 (Brasil)
Klein Constantia Estate Sauvignon Blanc 2012 (África do Sul)
Namaqua Sauvignon Blanc (África do Sul)

Nota sobre a pontuação

Robert Parker: um dos principais críticos internacionais

Descorchados: Principal guia de vinhos da América Latina.    

Wine Spectator: uma das principais revistas que tratam sobre vinho.


Fontes:
http://alemdovinho.com/tag/sancerre/
http://www.menuespecial.com.br/blog/2009/07/o-que-e-vinho-varietal-e-assemblage/
ROBINSON, J. Como Degustar Vinhos. Editora Globo.
JOHNSON, H. & ROBINSON, J. Atlas Mundial do Vinho. 6ª edição.
PACHECO, A. de Oliveira. Iniciação à enologia. 5ª edição. Editora SENAC São Paulo.